Terceira
lição - OS MODOS DE ACUMULAR
MÉRITOS
| A |
ntigamente, existiu uma mulher chamada Yen. Antes que ela permitisse o casamento de sua filha com o homem que viria a ser o pai de Confúcio, ela apenas perguntou se os antepassados dele haviam acumulado méritos e virtudes, não se importando se eram afortunados. Ela sentia que se os antepassados tivessem acumulado méritos, seus descendentes definitivamente seriam notáveis. Confúcio (551-479 aC.) mesmo havia elogiado Shun (um dos primeiros imperadores da China) por sua piedade filial. Devido a isto. Shun seria conhecido por milhares de anos e seus descendentes seriam notáveis por muitas gerações. e esses ditos são realmente baseados na verdade.
Daremos
outro exemplo. Na província de Fukien, havia uma pessoa especial, Yang
Jung. que possuía cargo de instrutor imperial.
Seus antepassados eram "pessoas do barco" que viviam suas vidas
ajudando outros a atravessarem o rio. Quando
houve uma tempestade com inundação, as correntes de água
destruíram as casas fazendo com que as pessoas, seus pertences
e animais fossem levados pela correnteza. Outros barcos tentavam apanhar as
riquezas materiais das famílias e somente seu bisavô e avô
tentavam ajudar as pessoas. Os habitantes
do vilarejo consideraram-nos muito estúpidos. Entretanto, depois do
nascimento do pai de Yang
Jung, a família Yang tomou-se muito
próspera. Um dia um monge taoísta veio até sua família
e disse: "seus ancestrais acumularam muitos méritos; por
isso os descendentes deles irão gozar de riqueza e notoriedade. Há
um local especial onde vocês poderão
construir os túmulos de seus antepassados". Então, a família
seguiu o conselho do monge. Muitos anos se passaram e Yang Jung nasceu; era dotado de muita inteligência e logo o jovem passou no exame
imperial, recebendo diversas nomeações. Concluindo: os notáveis atos, mesmo que dos antepassados, refletem nas vidas de
seus descendentes.
Outro:
Yang Tzu-ch'eng
era da prefeitura de Jin. Ele era uma pessoa com muita compaixão. Uma
vez o magistrado local estava punindo um prisioneiro, espancando-o
até que sangrasse, mas mesmo assim se não dava por satisfeito e mantinha-se com raiva. Yang
suplicou para que parasse de bater no prisioneiro
e obter como resposta: "esta
pessoa infringiu a lei, como não ficar com raiva?" Yang
respondeu: "quando as pessoas detentoras
do poder não seguem o Tao, então
o povo não entende o Tao também,
e assim eles não entendem nem
respeitam a Lei. Desta maneira, devemos ser mais compreensivos". O
magistrado parou então de espancar o prisioneiro. Yang veio de uma família pobre, entretanto ele nunca aceitou suborno.
Quando os prisioneiros estavam
com pouco alimento, ele levava de sua própria casa, ainda que isso
significasse ficar ele mesmo s: comida
alguma. Sua prática de compaixão nunca cessou. Ele teve dois
filhos - o nome do mais velho era
Shou-ch'en e do segundo era Shou-chih, e
ambos tomaram-se muito prósperos e exerceram importantes cargos. Mesmo os descendentes deles possuíram por
longo tempo muita felicidade.
Outro
caso que ocorrera durante o período do reinado Cheng-t'ung (1436-1449)
do Imperador Ming Ying—tsung: na província de Fukien,
havia muitos bandidos e Sr. Hsieh foi escolhido para liderar o exército
a fim pacificá-los. Como eles
queriam ter certeza de que pessoas inocentes não seriam mortas, eles
providenciaram uma lista de todos
os bandidos que pertenciam à organização e secretamente
deram uma bandeira branca àquelas
que não pertenciam. Foi dito a elas para que colocassem a bandeira
em suas portas quando o exército imperial
viesse à cidade. Ao exército foi ordenado que não punissem
as casas com bandeira branca. Devido a esse
procedimento, dezenas de milhares de pessoas inocentes foram salvas, e muitos
dos descendentes Hsieh's continuaram a prosperar.
Outro exemplo é da família Lin. Entre seus ancestrais existiu uma mãe muito generosa. Ela fazia pane de arroz para dar aos pobres. Entretanto as pessoas lhe pediam muitas tigelas de arroz. Havia um monge taoísta que pedia seis ou sete pratos toda vez, e ele vinha todos os dias por três anos. A senhora sempre lhe dava arroz, sem nunca expressar qualquer contrariedade. O monge percebeu a sinceridade na sua ação e lhe disse: "tenho comido dos seus pratos de arroz por três anos sem nunca ter demonstrado a minha gratidão, quero que saiba que nos fundos de sua casa há um local bom onde você poderá construir túmulos para seus ancestrais. E o número de seus descendentes que terá cargos imperiais será o equivalente ao número de sementes em um punhado de sementes de gergelim”. E então na primeira geração após a da família Lin (que construíra os túmulos), houve nove homens aprovados nos exames imperiais, e assim sucedeu-se para seguintes gerações”.
Outra pessoa famosa foi o historiador imperial cujo nome era Feng. Um
dia, seu pai a caminho da escola avistou uma pessoa congelando na neve. Ele rapidamente
retirou seu casaco, vestiu-a e a levou para casa. Nesta mesma noite, ele teve um sonho em que lhe foi dito: “quando
você ajudou aquele pobre homem, você o fez com um coração
puro, e por isto eu lhe enviarei o famoso general da dinastia Sung: Han-ch’l para ser seu filho”. Pouco tempo depois a criança
nasceu e foi lhe dado o nome de Ch’i.
Outra história sobre a vida de uma pessoa famosa foi a de Ying que
viveu em Tai-chou. Quando ele era jovem
costumava estudar em áreas distantes. Durante a noite, ele freqüentemente
escutava fantasmas e
espíritos, entretanto nunca sentia medo. Um dia, escutou um fantasma falando: “como o marido de uma mulher deixou o lar há um longo tempo a trabalho e nunca mais retomou, os sogros desta mulher pensam que ele está morto e querem forçá-la a se casar novamente para que cuide do sustento da casa. Amanhã à noite, ela irá cometer suicídio, e então ela tomará meu lugar e assim eu poderei reencarnar". Sr. Ying escutando isso, imediatamente vendeu uma parte de suas terras por quatro lien (uma unidade de peso) de prata, e enviou uma carta com o nome de seu marido e com o dinheiro à sua casa. A mãe do rapaz notou que a letra da carta não era a de seu filho, mas ela pensou: "talvez a carta seja uma farsa, mas a prata pode não ser! Porque alguém a mandaria? Talvez meu filho esteja bem e nós não devêssemos forçar nossa nora a se casar com outro homem". Então passados alguns meses, o filho retomou ao lar. Sr. Ying ouviu o fantasma dizer: "A princípio eu ia renascer, mas agora o Sr. Ying interferiu". Outro fantasma perguntou: "por que você não se vinga?". Ao que o primeiro respondeu: "não, porque devido à bondade desse homem, ele se tomará uma pessoa muito importante. Como poderia machucá-lo?". Desde então Sr. Ying preocupou-se ainda mais em acumular méritos. Sempre que houvesse fome ele pegaria seu dinheiro e ajudaria as pessoas, ou auxiliaria as pessoas nas emergências. E sempre que as coisas não aconteciam como desejava, ele procurava não se aborrecer nem reclamar. Ainda hoje, seus descendentes continuam sendo famosos.
Havia uma outra pessoa, Sr. Hsu, cujo pai era muito próspero. Sempre que havia necessitados ele doava muita comida a eles. Um dia, ele ouviu um espírito dizer: "na verdade, a família de Hsu terá um membro que passará no exame imperial". Passaram-se muitos dias e naquele ano seu filho passou no exame. Daquele dia em diante, seu pai ficou ainda mais dedicado em acumular méritos, fosse construindo pontes para a população ou abrigando monges viajantes. Então escutou novamente um espírito: "a família Hsu terá outra pessoa que passará em um nível ainda mais difícil nos testes". E assim se realizou: seu filho mais tarde tomou-se o governador de duas províncias.
Uma outra pessoa chamada T'u costumava trabalhar na corte e ele passava suas noites na prisão visitando os prisioneiros. Se ele encontrasse alguém que fosse inocente, então ele redigia um relatório secreto para o juiz para que quando se abrisse a corte o juiz pudesse questionar o prisioneiro e esclarecer o caso. Então eles libertaram dez pessoas inocentes, e todas elas ficaram muito gratas a ele. Sr. T'u então enviou um memorando ao Juiz Imperial: "na Terra entre os quatro mares existem muitas pessoas, e possivelmente há muitos inocentes que estão presos. Eu recomendo que a cada cinco anos enviássemos um agente especial para checar em cada prisão as sentenças para que possamos evitar que pessoas inocentes permaneçam na prisão". O Juiz Imperial concordou e T'u foi escolhido como um dos agentes responsáveis por esta função. Uma noite ele sonhou que um anjo lhe dizia: "em sua vida não estava predestinado um filho, mas este bondoso ato está de acordo com o desejo dos Céus, por isso lhe será enviado três filhos. E todos eles alcançarão altas posições". Pouco depois desse sonho, sua mulher estava grávida e, um após o outro, nasceram seus três filhos, os quais se tomaram homens célebres.
Outra pessoa, Pao-p'ing,
era o sétimo membro do magistrado de Ch'ih-yang
e casado com uma mulher da família
Yuan. Ele era um grande amigo de meu pai. Possuía muito conhecimento
e era muito talentoso. Uma vez, viajando ao redor do lago Mao, ele
adentrou a uma vila e viu um templo em mau estado. Havia uma estátua
da Bodhisattva Kuan-Yin que se molhava por causa da chuva. Ele pegou todo
seu dinheiro, que eram dez liens de
prata, e o deu para o abade e disse: "isto é para reparar o templo".
E o monge lhe respondeu: "isto requer muito dinheiro. Receio que não poderemos realizar
o seu desejo". Então Pao-p'ing despiu-se de todas suas valiosas vestes e tecidos e as deu ao monge. Ainda
que seus subordinados tentassem fazer com que ele não realizasse tal ato, ele disse: "isto não
importa. Se a estátua não se danificar, o fato de estar sem
roupas não faz a mínima
diferença". O monge
replicou: "dar roupas e dinheiro não é difícil,
mas a sua sinceridade é sim, algo difícil
de alcançar". Depois que o templo foi reparado, ele voltou com
seu pai para visitá-lo e pernoitou lá. Em seu sonho. Kuan-Yin
veio lhe agradecer. "Seus filhos terão muita felicidade".
Na prefeitura de Chia-shan
havia uma pessoa chamada Li que pertencia a família Chih. Seu pai fora
um membro da corte. Havia um prisioneiro sentenciado
a morte, entretanto era inocente. O
pai de Li sabia disto e tentou apelar contra a decisão com o seu superior.
O prisioneiro, ao saber disto, pediu à sua mulher
para convidá-lo a sua casa
e oferecer-se para se casar com ele como uma forma de expressar gratidão,
e também como uma maneira
de aumentar suas chances de viver. Sua esposa chorou ao ouvir o pedido do
mando porque ela realmente não
queria fazer tal coisa. No dia seguinte, quando o pai de Li fora visitá-la,
ela lhe ofereceu vinho e contou o desejo do mando. Ele recusou a oferta de casamento, mas continuou
a se esforçar para resolver o caso. Quando o prisioneiro foi finalmente liberto, ambos, ele e sua mulher
foram agradecer ao seu benfeitor. Eles propuseram que ele se casasse com sua filha, já que era ainda
solteiro e não possuía filhos. A proposta foi aceita e o casamento realizado. Seu
filho Li, antes de chegar aos vinte anos já passara em exames
públicos para cargos imperiaís.
O filho de Li, Kao, e seu neto, Lu, e seu bisneto,
Ta-lun, todos receberam indicações imperiais.
Com
o objetivo de acumular méritos, pode-se seguir
ainda com mais detalhes e exemplos. Há a benevolência verdadeira e a falsa; há
a bondade honesta e a desonesta; há a bondade oculta e a explícita;
há a bondade própria
e a imprópria; há a meia bondade e a bondade completa; há
a grande e a pequena bondade; bondade em condições favoráveis
e em condições dificultosas. Por isso, precisamos sempre continuar
a aprender e a entender, senão,
às vezes quando praticamos uma ação que pensamos ser boa, muitas
vezes, podemos estar realizando
a estar realizando ações que trazem efeitos negativos.
Acabamos assim, não atingindo nossos
objetivos. Freqüentemente, as pessoas dizem: "fazemos
e fazemos caridades, mas nossos descendentes não obtêm
sucesso. Enquanto outros chegam até a cometerem deméritos, mas
suas famílias são muito felizes", e começam a interpretar erroneamente as ações e suas
conseqüências. Chegando inclusive, a conclusões absurdas. Geralmente, as pessoas não entendem
realmente o que é a verdadeira bondade e o que é o verdadeiro Mal, por isso não podem julgar
simplesmente pelo que vêem como aparência.
Por
exemplo, analisaremos a verdadeira e a falsa bondade. Surrar e xingar alguém
ou roubar, são ações consideradas, pelo senso comum,
más. Respeitar e ser gentil é geralmente
considerado bom. Estas condutas não
são necessariamente boas ou más, porque nós precisamos
ir além para entendermos a motivação por trás
delas. É somente assim que podemos saber se
são verdadeiramente méritos ou deméritos. Popularmente,
contanto que beneficie a humanidade, então
espancar ou surrar alguém pode ser considerado mérito; ou então,
se alguém age respeitando
os outros e tratando-os com cortesia em função de interesses
próprios de seu ego. então e considerado
um demérito. Portanto_ o
que beneficia os outros é um
mérito, mas o que beneficia somente
a si próprio e um demérito
ou uma falsa bondade. Aquilo que vêm de dentro
do coração é a verdadeira bondade; se for apenas superficial
e também para mostrar para os outros,
então é falso. Se ao realizarmos uma boa ação sem esperarmos nada em
recompensa, esta é a
verdadeira benevolência.
E
quanto à bondade honesta e à desonesta? Normalmente, considera-se
uma pessoa prudente e flexível uma
pessoa boa, mas muitas vezes aquelas que são ousadas e corajosas é
que são verdadeiramente boas. Todos podem considerar que a pessoa que é cuidadosa e frágil,
é uma pessoa boa, mas ela pode não possuir, realmente, qualquer objetivo ou espírito virtuoso.
Utilizando isTo, podemos julgar os outros na sociedade,
mas o julgamento do Céu sobre o que e considerado bom ou mau nem sempre se eqüivale
ao da Terra, aliás, na maioria
das vezes difere.
Portanto,
aquele que quer acumular méritos, não pode fazer isso simplesmente
seguindo o caminho mundano. Deve vir de dentro o pensamento de ajudar o mundo e não o de agradar o mundo. Querer ajudar os outros é
a verdadeira bondade.
Aquele que tem qualquer pensamento de agradar
o mundo ou divertir-se ás suas
custas, então não têm uma bondade verdadeira.
A
bondade pode ainda ser dividida em oculta e visível. Aqueles que realizam
uma boa ação e todos ficam sabendo, realiza uma boa ação visível.
E essas ações podem
somente receber a recompensa de uma boa reputação. Enquanto as ocultas serão
recompensadas ainda mais pelos Céus. Se a
reputação de alguém está além de seu real valor, então estará
solicitando grandes problemas. Fama não é considerado uma benção
porque muitas pessoas que têm
uma boa reputação muitas vezes a obtém falsamente. Não
há uma autêntica virtude por trás disto. Por isso que em muitas
famílias com fama, podem ocorrer estranhos percalços (acidentes). Portanto, recomenda-se que é
importante não se ter mais fama do que realmente merece. Aquele que não cometeu más ações,
mas lhe foi atribuído um mau nome, e conseguir aceitar isso e não
se perturbar, é uma pessoa de grande virtude. Muitas vezes, os filhos
desta pessoa terão muito sucesso. De qualquer forma, a diferença entre a bondade visível e
a oculta está no fato de uma ser conhecida e a outra não.
Na
realização de boas ações, há também
aquilo que parece ser bondade, mas na realidade não é. Por exemplo, no estado de Lu, a lei dizia que se houvesse pessoas
que fossem capturadas por outro estado, e se alguém quisesse pagar
o resgate para trazê-la, então o governo poderia recompensá-lo.
Um dia, um discípulo de Confúcio, Tzu-kung, depois de ter pago o resgate para trazer algumas pessoas de volta, não
quis receber a recompensa do governo.
Quando Confúcio soube disso, ele repreendeu-o dizendo: "você
está errado, porque o que um homem honrado faz, pode afetar toda a
sociedade. Isso se toma um modelo para todos; você não pode agir
pensando em si apenas. No estado de Lu há pouquíssimos homens
prósperos e a maioria das pessoas é pobre.
Se você começar com esse exemplo de que receber a recompensa
do governo é uma ação
vergonhosa, então quem terá
condições e recursos para pagar a recompensa? A tradição
de pagar a recompensa para trazer as pessoas capturadas irá então desaparecer!”
Em
um outro exemplo, um discípulo de Confúcio, Tzu-lu, salvou uma
pessoa de se afogar e recebeu uma vaca
como símbolo de gratidão. Quando o mestre ficou sabendo, ele
lhe disse: "muito bom. Agora
o povo do estado de Lu ficará feliz em salvar as pessoas
que estão se afogando: um estará disposto a salvar, outro disposto
a agradecer. Criou-se um modelo correto". E se pensarmos nos dois exemplos
acima citados, uma pessoa comum veria a ação de Tzu-kung
de não receber a quantia em dinheiro como uma coisa boa e a ação
de Tzu-lu de receber a vaca como
algo ruim. A visão de Confúcio é diferente
desta. Portanto, quando alguém realiza
uma bondade, não se pode apenas observar a conduta, mas tem que considerar
os seus efeitos. Não devemos ver apenas o presente, mas também
o resultado final no futuro. Devemos
não apenas avaliar o ganho pessoal,
mas como nossa ação afeta a comunidade. Se eu
realizo algo que parece ser bom, mas o resultado final fere as pessoas, então apenas parece ser bom, mas na realidade
não o é. Ou por outro lado, se o comportamento ou a conduta não é boa, mas o resultado beneficia os outros, então o resultado
final é bom. Há outros exemplos do que parece ser bom,
mas na verdade não é, tal como perdão e tolerância indevidos; elogiar excessivamente
alguém pode fazê-lo perder o senso da realidade; manter uma pequena
promessa e causar um grande problema;
e por fim, mimar uma criança, causando problemas futuros.
Há ainda a bondade imprópria
e a própria. Como se pode explicar isso? Existiu outrora, um primeiro
ministro, Lu, que tirou férias e retomou para
sua vila. Os moradores ainda tratavam-no com muito respeito. Um dia, um membro do vilarejo ficou bêbado e começou
a xingá-lo. Sr. Lu não se preocupou
com isto pensando que era devido
ao fato de o homem estar bêbado e não o puniu. No ano seguinte;
o mesmo homem tomou-se ainda mais agressivo em seu comportamento. Até
que ele cometeu um crime, pelo qual foi sentenciado à morte. Desta
vez, Sr. Lu sentiu muito remorso. Ele disse: "se da primeira vez em que
o rapaz causou problemas eu tivesse lhe punido e disciplinado, então
isto o teria endireitado e talvez não tivesse cometido tal crime. Não
deveria ter sido tão condescendente com ele".
Este é um exemplo de como
um bom coração pode causar o mal.
Podemos
analisar um outro exemplo de como uma conduta desagradável pode produzir
bons resultados. Uma vez, durante
um período de fome, o povo tomou-se violento e começou explicitamente
a roubar comida uns dos outros. Havia
um homem rico que informou ao governo os acontecimentos, mas o mesmo não
se importou, assim, o povo tomava-se
ainda mais agressivo e descarado em seu comportamento. Nesta situação,
a família deste homem começou
a punir os saqueadores e a região finalmente obteve alguma paz. Todos
sabemos que a bondade é algo correto
e que a maldade, não. Mas ser bom levando a uma situação
pior é incorreto também.
Ser desagradável, mas levando a resultados
bons, às vezes é necessário.
Devemos
também entender o que é uma bondade completa e uma incompleta.
No 1-Ching é mencionado que
se a bondade não e completa,
então seu agente não se toma bem-sucedido. Se a maldade não
é completa, não se
traz destruição. É
como acumular coisas em um container: ao
ser diligente enche-se rapidamente. enquanto ao ser negligente o container não
se encherá. Por exemplo, havia
uma mulher que foi ao templo rezar e
que queria também oferecer algo, mas como era de uma família
pobre, ela pôde oferecer apenas dois centavos; o abade do templo mesmo assim veio agradecê-la. Mais tarde,
essa mesma mulher tomou-se rica e retomou ao templo trazendo ouro. Desta vez o abade mandou apenas um de seus
subordinados para lhe agradecer. Assim, ela questionou: "da última
vez quando lhe ofereci somente dois centavos o senhor veio pessoalmente me agradecer. Hoje eu estou lhe
oferecendo muito. Por que não me
agradeceu pessoalmente?" O
abade respondeu: “no passado, apesar de você doar pouco, você
foi sincera. E mesmo o meu agradecimento em pessoa não fora suficiente.
Hoje, apesar de sua grande doação, seu coração
não é sincero. Por isso, apenas enviei meu discípulo.
Este é um exemplo em que muito ouro representa apenas uma meia bondade,
e dois centavos representam uma bondade completa”.
Algum
tempo atrás, havia um imortal chamado Chung-li.
Ele ensinava Lu Tsu a arte de transformar metal em ouro para ajudar o mundo. Lu perguntou se esse
ouro retomaria à sua forma original e Chung disse que após 500 anos ele tornaria a ser metal. Lu
disse: "isso não causará problemas às pessoas daqui
a 500 anos? Eu acho que não
quero aprender a fazer isto". Chung disse:
"para se tomar um imortal e necessário
acumular 3000 méritos, e apenas
essa frase já vale 3000 méritos. Agora você pode tomar-se um imortal". Portanto, verdadeiras bondades devem surgir naturalmente e com
sinceridade, mesmo que seu agente não tenha consciência depois de seu ato. Assim, mesmo
que seja um pequeno ato bom, trará frutos prósperos. Aquele que tem
a intenção de fazer coisas boas ou de doar esperando uma recompensa
então mesmo que o faça
a vida inteira ainda assim será
uma meia bondade. No exemplo, dar
um centavo pode ser suficiente tara neutralizar milhões de carmas negativos. e dar um cunhado de arroz pode trazer infinitos méritos.
Aquele que dá e não se esquece, ou ao dar espera retomo, ou ao dar sente
agonia, então mesmo que se dê muito ouro será ainda meia
bondade.
Vamos
discutir o fato de que a bondade pode ser qualificada quanto à sua
grandeza, quanto à dificuldade
ou à facilidade. Nos tempos antigos, existiu uma pessoa chamada Wei
Chung-ta. Ele era um alto oficial
do palácio. Quando seu espírito deixou seu corpo e foi levado
para o inferno, o guardião do inferno pediu os registros das boas e
das más ações de Wei. O registro das más ações
ocupava todo o pátio e as boas ações não ultrapassavam algumas folhas. Foi pedido
para que se pesasse os registros. Notou-se que os muitos livros de más
ações pesavam menos do que algumas folhas que registraram as bondades. Wei ficou curioso e disse:
"eu tinha apenas quarenta anos.
Como pude acumular tantas más ações? O guardião respondeu:” pensamentos maus também são registrados, mas não
são necessariamente efetuados“. Então Wei tomou
a perguntar: “Por que o registro
das boas ações é mais pesado do que o das más
ações?”. E obteve como resposta:
"o imperador de tempos em tempos realizava grandes projetos de construção.
Quando estavam prestes a construir uma ponte
de pedras na província de Fukien, você propôs que ela não
fosse construída, porque percebeu que aquilo impediria a passagem de
muitos barcos, utilizados como meio de sobrevivência do povo da região.
Você preocupou-se
com o sofrimento de aproximadamente 10.000 pessoas". Wei respondeu que sua proposta não tinha sido aceita pelo
Imperador e não estava entendendo como poderia ter sido registrado como uma boa ação se nem
tinha sido realizada. O guardião lhe explicou: "mesmo que o imperador não tenha realizado sua sugestão, você teve a intenção
de uma boa ação que afetaria 10000 pessoas. Se
a proposta tivesse sido aceita, então
o peso das boas ações teria sido ainda maior".
Desta forma, pôde-se
notar que quando se pensa no mundo, se isso afetar 10000 pessoas, ainda que
a ação seja pequena o mérito pode ser formidável.
Mas quando há a preocupação apenas com um indivíduo,
e a bondade afetar apenas uma pessoa, O ATO DE BONDADE PODE SER GRANDE,
MAS SEU EFEITO TOTAL É PEQUENO.
Para a realização de atos bons em situações difíceis ou fáceis, temos que começar pelas partes difíceis assim não cometeremos os erros fáceis. Exemplos de pessoas que realizaram boas ações sob difíceis condições: Sr. Shu utilizou dois anos do seu salário de professor para pagar a fiança de um homem da cidade para permitir que ele ficasse junto de sua família. Na província de Hunan, Sr. Chang usava o dinheiro poupado por dez anos para ajudar homens que haviam se endividado para salvar suas esposas e filhas. Cheng-chiang, um senhor que mesmo sem ter conseguido ter filhos, ainda recusava uma jovem moça oferecida por um vizinho como concubina como forma de gratidão.
Há exemplos de pessoas que doaram tudo o que tinham para beneficiar os outros, em todos esses casos seus agentes estavam fazendo além do que se espera que uma pessoa normal faça ou tolere. Este tipo de bondade é especial. Quando não se tem dinheiro ou poder, é mais difícil realizar boas ações e ajudar os outros, é ainda mais difícil. porém o mérito é muito maior.
Aquele que tem dinheiro e poder tem muito mais facilmente a oportunidade de realizar boas ações e de acumular méritos. Se, em uma situação onde é fácil de se acumular méritos e de fazer boas ações, a pessoa não o fizer, então estará desperdiçando não só a oportunidade, mas como também renunciando a si próprio. Como diz o ditado chinês: "Aquele que é próspero e não realiza boas ações. é como um porco gordo".
Discutimos até
agora os principies por trás da realização de boas ações.
Agora estudaremos sobre como ajudar os outros através de outros métodos.
O primeiro método é
auxiliar as pessoas; o segundo
é tratá-las com
respeito e amor, o terceiro
é facilitar a realização da vontade dos
outros de realizar caridades;
o quarto é encorajar
os outros a fazê-las; o
quinto é ajudar as pessoas em uma emergência;
o sexto é dar assistência
em projetos públicos;
o sétimo é doar aos outros nossa
prosperidade; o oitavo é proteger
e amparar os professores espirituais; o nono é
respeitar os idosos; o décimo
é proteger os seres vivos.
1. O que significa auxiliar as pessoas? Um dos primeiros imperadores, Shun, quando era jovem, observava os pescadores na província de Shantung. Ele notou que os locais onde havia muitos peixes, como nas calmas águas profundas, eram geralmente monopolizados pelos jovens pescadores. E quando um fraco e velho pescador foi levado pela rápida correnteza, ele se sentiu muito triste. Então Shun decidiu juntar-se a eles para pescar e sempre que encontrava outro pescador que o expulsava e lhe tomava o lugar, ele o deixava em paz, sem causar brigas. Mas quando encontrava alguém que lhe desse a oportunidade de pescar, então ele o elogiava para os outros e a ele era grato. Após um tempo ele criou uma atmosfera de respeito mútuo. Por isso, no nosso comportamento ao viver, é importante não só utilizar nossas próprias boas idéias para esclarecer as dos outros, mas também não demonstrar publicamente nossa bondade com o intuito de evidenciar a maldade dos outros, e certamente não utilizar nossa inteligência para pregar peças nos outros. Deve-se sempre viver com humildade. Ao notarmos as falhas dos outros devemos ser tolerantes. Ao virmos alguém realizar uma boa ação, mesmo que pequena, devemos elogiá-la. E devemos manter uma conduta silenciosa com aqueles que são maldosos; não destruir sua reputação com palavras sujas mas sim_ permitir que elas mudem vagarosamente. Portanto, se sempre pensarmos no bem-estar coletivo e protegermos a verdade, estaremos auxiliando os outros.
2.
O que significa tratar as pessoas com respeito
e amor? Se eu fosse julgar as pessoas pelo comportamento,
a diferença entre um cavalheiro e um não-cavalheiro é
às vezes muito difícil. Mas se eu fosse ver isto pelo aspecto
da motivação, então seria muito fácil dizer a
diferença. Há um ditado
que diz que a diferença entre os dois está em seus pensamentos.
Um outro ditado diz que o mesmo tipo
de arroz alimenta cem tipos diferentes de pessoas. Apesar de as
pessoas serem diferentes nos detalhes serem
de diferentes níveis sociais e terem níveis variados
de inteligência são somente pessoas. Portanto devemos tratá-Ias.
sem exceção. com respeito.
3. O que significa facilitar para que os outros realizem boas ações? Na sociedade há poucas pessoas que fazem boas ações em comparação com o número das que fazem más ações. Normalmente, temos o hábito de defender e seguir aqueles que vivem da mesma maneira que nós e de nos afastarmos daqueles que são diferentes. Assim, um cavalheiro vivendo dentro do seu círculo de convivência, a menos que ele tenha grande determinação e coragem, ele encontrará certamente muitas dificuldades e obstáculos para manter sua postura. Geralmente, aqueles que têm motivação para realizar boas ações têm o discurso e a conduta diferentes do resto da sociedade. Eles são, via de regra, sinceros e desapegados, além de não se empenharem em exibir suas qualidades para receber congratulações. Por isso, aqueles que não possuem sabedoria costumam criticar essas pessoas e assim elas não têm chance de fazer caridades. Desta forma, devemos auxiliar aquelas que possuem um bom coração na realização de seus objetivos quando elas tentam ajudar o próximo. É como trabalhar com um jade. Não o jogamos fora como as outras pedras, mas o polimos para que se tome uma jóia.
4. O que significa encorajar os outros a realizar boas ações? Todos temos uma consciência, mas a confusão da vida e também os atrativos da fama e da riqueza geralmente nos levam à ruína. Portanto, ao interagir com um cidadão comum, é sempre importante lembrá-lo de fazer aquilo que é bom e o que é certo. Um ditado diz: "Para despertar as pessoas por um momento utiliza-se a boca, para despertá-Ias por cem gerações escrevem-se livros “.
5. O que significa ajudar as pessoas em uma emergência? Freqüentemente em sua vida alguém vai estar em uma situação de dificuldade, ou em infortúnio, então, quando encontrarmos alguém em tal situação, devemos tratá-la como se nós mesmos estivéssemos nessa situação e ajudá-las sem hesitar. Por exemplo, pode-se usar palavras para confortá-la ou usar outros métodos para ajudá-las.
6. O que significa dar assistência em projetos públicos? Significa prestar ajuda em trabalhos que beneficiarão outras pessoas. Construir represas, pontes e ajudar os necessitados são exemplos.
7. O que significa doar aos outros a nossa prosperidade? Nos ensinamentos de Buda há 10000 caminhos para se desenvolver espiritualmente, e o primeiro é ceder, doar e entregar. Doar é um desprendimento, um ato de desapego. Quanto mais envolvidos em doar estão nossos seis sentidos intemamente, com mais desapego refletimos externamente. E, tudo o que possuímos pode ser doado sem dor. Certamente, uma pessoa comum pode não alcançar este nível de evolução espiritual e geralmente acaba vendo a riqueza como sendo mais importante do que a vida. Desta forma o primeiro passo para tomar-se desapegado é começar doando aquilo que é mais difícil: o dinheiro. Ajudar os outros é construir os próprios méritos, é ajudar a si mesmo. Internamente, devemos extinguir o egoísmo, a avareza e externamente, devemos ajudar os outros em emergências que facilitarão o crescimento espiritual. No início, os atos parecerão dificultosos e forçados, mas depois se tornam muitas naturas, porque este é o nosso modo natural de ser, só que, oculto pelo tempo. Isto também neutralizará as falhas dos outros.
8.
O que significa auxiliar os professores
espirituais? Essas pessoas falam sobre o dharma, os ensinamentos
de Buda. Esses ensinamentos fornecem um guia para se tomar livre, libertos
da vida e da morte. Por isso, quando virmos templos,
sutras e mestres de Buda, devemos
tratá-los com respeito e protegê-los.
9.
O que significa respeitar os idosos? Significa
respeitar nossos pais, irmãos mais velhos, pessoas
mais velhas, pessoas que são autoridades e especialmente aqueles que
são virtuosos e sábios. Devemos tratar nossos pais
com delicadeza e respeito. E na sociedade, não devemos ter um mal-comportamento mesmo que o "imperador
esteja a milhares de quilômetros".
É importante que ao punir um prisioneiro não o façamos
além do que é necessário.
Tudo isto se refere ao acúmulo de méritos ocultos.
10.
O que significa proteger a vida dos seres vivos? Os
antigos já diziam: "quando alguém se preocupa com os ratos, guarda-se algum arroz para
eles, e se alguém se preocupa com as mariposas, não se acende
a lâmpada". Com certeza para nós que somos pessoas normais,
essas atitudes são difíceis de serem
realizadas, mas é um lembrete de que todos temos
uma compaixão inata. Por
isto Mencius dizia: "os cavalheiros devem manter-se distantes
da cozinha" (naquela época,
na China, os açougueiros ficavam na cozinha), como uma maneira de proteger
a piedade inata. Ele dizia que mesmo aquele que não conseguisse tomar-se
um completo vegetariano, deveria
pelo menos ter consciência de que os animais criados por ele não
lhe devem servir de alimento; que se ele vir ou ouvir um animal sendo morto,
esta carne não deveria ser o seu alimento; que se um animal
foi morto especialmente para ele, não se deveria comê-la. Esses são os quatro
casos nos quais não devemos comer a carne de um animal (se não formos
vegetarianos), pelo menos para iniciar a construir nossa compaixão
e também para expandir nossos
méritos e nossa sabedoria.
Antigamente,
ferviam-se os casulos de seda para se obter a seda utilizada na fabricação
do vestuário e; atualmente, quando cultivamos esses casulos, nos livramos dos
insetos. Como o suprimento de roupas e de alimentos
envolve o matar é importante
não desperdiçar comida ou roupas; assim estaremos indiretamente protegendo a vida. Às vezes, podemos acidentalmente ferir outros seres
com nossas mãos ou nossos pés, por isto, devemos ser muito cuidadosos.
Os métodos pelos quais podemos acumular méritos
são muitos e não podemos descrevê-los todos em todos
os detalhes, mas se ao menos pudéssemos iniciar com esses dez, já
seria um bom começo.